Temos que ser orgulhosos dos nomes tradicionais da nossa terra: A trajetória inspiradora de Pedro Kisssanga

Pedro Kisssanga é uma figura multifacetada e inspiradora na comunidade angolana da Nova Inglaterra, especialmente em Boston. Empresário, comunicador e promotor cultural, Pedro representa o orgulho das raízes angolanas e o poder do empreendedorismo e da comunicação para fortalecer a identidade e o desenvolvimento da diáspora. Neste artigo, vamos explorar sua trajetória desde a formação em radiodifusão até o sucesso empresarial, além de refletir sobre a importância dos nomes tradicionais e da organização comunitária.

Da voz marcante à formação em radiodifusão

Pedro sempre teve uma voz especial, um dom que ele acredita ser uma bênção natural. Mas além do talento nato, ele investiu na formação técnica, graduando-se na Caneric School of Broadcasting, em Boston, onde aprendeu os segredos da comunicação, modulação vocal e técnicas de apresentação. Essa base lhe abriu portas para atuar em diversas rádios locais, incluindo a Rádio Fastar, e colaborar com DJs como Paulo Russo.

Foi em uma dessas experiências que surgiu a ideia da Rádio Mima, um projeto que nasceu dentro da Rádio Canal Angola e que Pedro ajudou a consolidar. O nome “Mima”, que significa “cheguei” em kimbundo, reflete a chegada e a afirmação da cultura angolana na diáspora. A rádio é hoje um importante canal de promoção cultural e conexão para a comunidade angolana nos Estados Unidos e além.

Orgulho dos nomes tradicionais e da identidade africana

Uma parte central da conversa com Pedro foi o orgulho pelos nomes tradicionais angolanos. Ele relembra que, no passado, muitos jovens angolanos sentiam vergonha de seus nomes e raízes, preferindo adotar nomes ocidentais ou estrangeiros para se encaixar melhor. No entanto, essa mentalidade mudou drasticamente, especialmente pela influência da diáspora, onde a valorização da identidade cultural se tornou um símbolo de força e resistência.

“Quando começamos a nos impor no estrangeiro, ao ver outros africanos mencionando com orgulho seus nomes, nós também começamos a aprender que nosso nome é o que nos representa. É a partir daqui, de fora, que em Angola também começou a aceitação e o orgulho pelos nossos nomes tradicionais.”

Essa mudança representa um resgate da história, das raízes e da cultura angolana, com um impacto profundo na autoestima e na forma como a comunidade se apresenta no exterior.

A comunidade angolana em Boston e nos EUA: desafios e oportunidades

Boston e Massachusetts são historicamente um dos maiores polos da comunidade angolana nos Estados Unidos, abrigando cerca de 600 angolanos. Contudo, o maior crescimento da diáspora angolana tem ocorrido em Maine, que hoje conta com cerca de 6.000 angolanos, atraídos por oportunidades de trabalho e acolhimento do governo americano para imigrantes, especialmente para refugiados e asilados.

Pedro destaca que, apesar do crescimento numérico, a comunidade enfrenta desafios estruturais, como a falta de organização formal e de programas de apoio que preparem os recém-chegados para a integração plena na sociedade americana.

O papel do empreendedorismo e da formação

Um tema recorrente na conversa é a importância do empreendedorismo como ferramenta de desenvolvimento pessoal e comunitário. Pedro, formado em construção civil, é um exemplo vivo dessa trajetória. Após trabalhar para várias empresas, decidiu abrir sua própria empresa, a Crystal Renovations, que hoje emprega uma equipe e atua em vários estados da Nova Inglaterra, incluindo Massachusetts, Maine, Rhode Island e Vermont.

Para Pedro, a chave do sucesso está na preparação, organização e visão de longo prazo. Ele enfatiza que os membros da comunidade precisam buscar formação contínua, assumir responsabilidades e criar associações estruturadas que possam apoiar os angolanos em diversos níveis, desde aulas de inglês até inserção no mercado de trabalho.

“Se você não tem um plano que beneficie outros, o governo americano não vai te ajudar. Tem que ter organização, um organograma claro, com presidente, secretário, financeiro, para mostrar que a associação tem um propósito real.”

Pedro chama atenção para a necessidade de líderes formados e capacitados, que entendam o funcionamento das associações e possam conduzir os projetos com profissionalismo e compromisso.

Rádio Mima e a Gala Rádio Mima: valorizando a comunidade

Além do empreendedorismo, Pedro é um grande promotor cultural. A Rádio Mima, que nasceu do seu programa inicial, cresceu e hoje conta com parcerias em Luanda, Maine e Boston. A rádio realiza eventos importantes para celebrar as conquistas da comunidade angolana nos EUA, como a Gala Rádio Mima.

A gala anual premia ouvintes ativos, DJs, empresários e pessoas que fazem a diferença na comunidade angolana da Nova Inglaterra e além. As categorias incluem desde o melhor ouvinte, que participa e compartilha os programas, até homenagens a pessoas que promovem o bem-estar social, incluindo americanos que colaboram com os angolanos.

O evento é um momento de união, reconhecimento e celebração da cultura angolana, com atrações musicais e apresentações que reforçam o orgulho pela identidade africana.

Preparação para o futuro

Pedro e sua equipe estão empenhados em fortalecer a comunidade angolana, criando redes de apoio, promovendo a formação e valorizando os talentos locais. Eles acreditam que a união e a organização são fundamentais para que os angolanos possam não apenas sobreviver, mas prosperar na diáspora.

Com uma visão clara e uma voz que inspira, Pedro Kisssanga é um exemplo de como a paixão pela cultura, a dedicação profissional e o compromisso comunitário podem transformar vidas e fortalecer raízes.

Conclusão

A história de Pedro Kisssanga nos mostra que ser orgulhoso dos nossos nomes tradicionais e da nossa cultura é um passo essencial para construir uma comunidade forte e unida na diáspora. Seu percurso na radiodifusão, o empreendedorismo com a Crystal Renovations e o trabalho cultural com a Rádio Mima ilustram a importância da preparação, da organização e do compromisso coletivo.

Para todos os angolanos e afrodescendentes que buscam inspiração, a mensagem é clara: valorize suas raízes, invista na formação e trabalhe para o bem comum. Só assim poderemos construir um futuro sólido, onde a nossa identidade é celebrada e o nosso potencial é plenamente realizado.